O avanço dos tratamentos farmacológicos para a obesidade, com o uso de medicações
injetáveis como o Mounjaro e outros análogos de GLP-1, trouxe novas perspectivas
para a perda de peso. No entanto, o emagrecimento rápido exige atenção ao
organismo, especialmente à vesícula biliar.
O Dr. Lucas Thá Nassif alerta que pacientes que estão em tratamento com essas
medicações, ou que planejam iniciá-lo, devem realizar exames preventivos, como a
ecografia de abdômen total, para investigar a presença de colelitíase, popularmente
conhecida como pedra na vesícula.
A Relação Entre a Perda de Peso e a Formação de Cálculos
O aumento do risco de desenvolver pedras na vesícula não é um efeito colateral direto
da composição química das canetas emagrecedoras. Na verdade, o fenômeno está
associado à velocidade e ao volume da perda de peso.
Quando o organismo passa por um processo de emagrecimento rápido, o fígado
secreta mais colesterol na bile. Ao mesmo tempo, a vesícula biliar pode reduzir sua
frequência de contração, gerando um acúmulo de bile densa. Esse cenário favorece a
cristalização e a consequente formação dos cálculos biliares.
A principal preocupação médica no uso dessas medicações por pacientes que já
possuem pedras na vesícula, sem o devido diagnóstico anterior, é o risco de
complicações graves, como a pancreatite aguda, uma condição inflamatória
potencialmente grave que exige internamento hospitalar imediato e pode colocar a
vida do paciente em risco.
Protocolo de Segurança
Para garantir a segurança do tratamento, é imprescindível o acompanhamento médico. A Clínica Nassif recomenda a aplicação de um protocolo preventivo em duas etapas:
• Antes de iniciar o tratamento: A realização da ecografia de abdômen é
indispensável para identificar se o paciente já possui pedras assintomáticas.
Caso a presença de cálculos seja confirmada, a conduta deve ser avaliada pelo
cirurgião antes de se iniciar o estímulo da medicação.
• Após a perda significativa de peso: Pacientes que já utilizaram as medicações e
obtiveram um emagrecimento expressivo devem realizar uma nova ecografia de
controle, mesmo que não apresentem dores abdominais, para monitorar se
houve formação de novos cálculos durante o processo.